O mistério das Daphnias

Quem teve a oportunidade de ler o artigo que escrevi sobre a criação de pulgas d´água (Criando Daphnias) deve se imaginar como anda a minha criação. Lembram-se dos dois aquários de cem litros cada, com pulgas d´água para dar e vender? Pois é, agora tenho apenas dois potes de maionese com apenas alguns moradores em cada. Como isto aconteceu? Foi tudo muito estranho e para mim ainda é um mistério, apesar de eu ter algumas hipóteses.

Eu estava mantendo a rotina, alimentando, trocando parciamente a água e colhendo pulgas d´água regularmente. Até que, em um período de dois dias, toda a vida em um dos aquários se foi. Neste caso, desconfio de algum contaminante. Como tenho filhos, é provável que algum deles tenha resolvido fazer seus próprios experimentos no aquário do papai. Bem, como eu ainda tinha, vejam bem, tinha o outro aquário indo de vento em popa, não me preocupei muito. Esperei o final de semana chegar e preparei outra cultura no aquário da perdição.

Daqui pra frente, as duas culturas foram decaindo e decaindo, até que não restou nenhum morador. Como eu tinha obtido sucesso com a cultura inical bem pequena que comprei, não me preocupei. Pensei: "Com apenas alguns indivíduos conseguirei retomar a minha empreitada!". Este decaimento foi lento, mas não importava quais ações eu tomava, ele continuava acontecendo, até que... Eu estava sem Daphnias. Procurei por todos os potes, todos os aquários de killies, nos recipientes de água verde, nos criadouros de alevinos e nada. Parecia uma maldição.

Muito frustrado, pois percebi que eu não tinha controle sobre a situção como eu imaginava, resolvi organizar a minha criação e comecei pelas turfas de anuais esquecidas em um canto da prateleira. Olhei as espécies, as datas que escrevi nos plásticos e achei algumas turfas que estavam prontas para serem molhadas. Mesmo assim verifiquei, com uma lupa, se os embriões já estavam desenvolvidos dentro dos ovos e separei destas, algumas para molhar.

Foram cinco porções de turfas, três espécies diferentes. De algumas surgiram muitos alevinos, de outras poucos. Aproveitei e fiz um pequeno experimento, coletando todos os alevinos e secando novamente algumas turfas, para molhá-las uma semana depois (acredito que esta seja a melhor prática) e deixando outras turfas secarem naturalmente, para depois molhá-las (aqui em Brasília isto acontece rapidamente, dependendo da época do ano).

Eis a minha surpresa quando, depois de algum tempo, sugiram algumas pulgas d´água em um pote! Obviamente neste pote não nasceram mais alevinos, pois estes iriam se alimentar das pequenas pulgas. Eu costumava alimentar os casais que estavam depositando ovos com Daphnias, imagino que algumas depositaram ovos (ephippium) que eclodiram quando molhei a turfa. Com estas sobreviventes, reiniciei a cultura, que ainda está no início, mas sem indícios de problemas

Tenho algumas hipóteses para tentar explicar o ocorrido. Pode ter sido contaminação, problemas com a água, alimentação, doença ou o ciclo natural das Daphnias. Ou mesmo uma combinação destes. Acredito que nunca saberei com certeza, mas isto apenas confirma o que já tinha lido em artigos na internet, que as culturas de Daphnias sofrem oscilações e eventualmente colapsam. Por isto, é importante mantermos mais de uma cultura e até compartilharmos com outros criadores, pois na eventualidade de uma perda total poderemos reiniciar a cultura com facilidade.

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